Ciência marinha internacional: o que está a ser feito para sensibilizar e educar o público

Pesca excessiva, desperdício de peixe, ervas marinhas, educação e arte. São temas que deram que falar esta segunda-feira, no Porto, a propósito da primeira conferência internacional para a comunicação das ciências marinhas.

Desde como os cientistas podem usar a infografia para comunicarem aos responsáveis pela definição de políticas os resultados ou ideias das suas investigações, iniciativa desenvolvida no Reino Unido, até a um projeto que pretende sensibilizar o consumidor para o facto de existirem espécies de peixe menos conhecidas.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), apenas 10% das 700 espécies mediterrânicas comestíveis é efetivamente comercializado. Todas as outras não chegam ao mercado por não terem valor comercial. O problema é a falta de conhecimento. Os projetos “Fish Scale” e “Mr. Goodfish” pretendem inverter esta tendência que dá origem ao desperdício do peixe que é apanhado nas redes. Giada Franci, do Aquário de Génova, veio de Itália explicar o conceito à plateia da conferência, mostrando vários exemplos de folhetos informativos desenvolvidos para o consumidor, ao qual também foram disponibilizadas novas receitas para cozinhar estas espécies de peixe.

DSC_5836

240px-Belone_belone1

Um exemplo de espécie menos conhecida é o peixe-agulha (Belone belone)

Entre apresentações, um outro que se destaca, desta vez de uma equipa espanhola, prende-se com as ervas marinhas. O termo pode parecer contraditório, mas trata-se, na verdade, de plantas de origem terrestre que sobrevivem no fundo do mar. Amplamente distribuídas pelas zonas costeiras, podem fazer lembrar as algas, por serem verdes, mas, ao contrário destas, têm flor e fruto.

O FAMAR (o nome vem do espanhol: “fanerógamas marinas”) é um projeto de comunicação que pretende precisamente sensibilizar o público para estes seres vivos que estão ameaçados devido a ação humana. As ervas marinhas servem de habitat e de alimento a várias espécies de peixe e ajudam a manter a qualidade da água. O que este grupo de investigação fez foi, por um lado, utilizar voluntários da área das ciências marinhas para monitorizar as populações de ervas marinhas na baía de Cádis, no sul de Espanha.

DSC_5839

Por outro, fizeram o que se pode chamar de divulgação 2 em 1, ao sensibilizar dois grupos: população local de vários setores da sociedade e os pescadores, turistas e gestores costeiros. Como? Os do primeiro grupo desenvolveram em conjunto com o próprio público-alvo da mensagem (pescadores, turistas, gestores…) uma série de cartazes e folhetos de sensibilização, aprendendo uns com os outros.

Nestas atividades, e também em seminários e cursos, estiveram envolvidos mais de 400 adultos.

Segundo Maria Del Carmen Ramírez, que apresentou o projeto, o crescimento de visitas do blogue aumentou exponencialmente de 1.000 por ano, em 2010, para um número de quase 20.000 visitas estimadas para 2014.

“Estudantes de arte melhoram a sua literacia sobre o oceano”

De seguida, uma apresentação de um projeto em muito distinto dos anteriores. Organizado sem qualquer orçamento e por voluntários, teve resultados, de acordo com Nancy Fockedey, responsável pela área da comunicação do “Flanders Marine Institute” (VLIZ), na Bélgica, positivos. O que acontece se se juntarem estudantes de arte com cientistas da área do mar? O resultado foi um processo criativo que se traduziu num livro e numa exposição, fruto do trabalho de 1250 participantes.

Alguns dos tópicos abordados nesta iniciativa foram as cadeias alimentares, a poluição, as algas tóxicas, as ondas e as marés, o consumo sustentável, entre outros.

O trabalho realizado em conjunto com escolas foi também muito enfatizado durante o primeiro dia da conferência, tendo sido apresentados projetos relacionados com campos de férias com os jovens, visitas às escolas, como é o caso das levadas a cabo pelo CIIMAR, e também de trabalho de estudantes lado a lado com os cientistas durante o processo de investigação científica e de publicação de artigos científicos (“A ponte entre a escola e a ciência azul”).

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s