Cientistas como “pescadores”: há iscos para agarrar o público

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O jornalista David Braun foi um dos oradores principais da conferência.

Quem esteve na primeira conferência internacional sobre ciência marinha ficou com a ideia muito clara de como conquistar públicos e audiências e atrair atenções para novos financiamentos. Imaginemos cientistas como “pescadores” e o público como peixes, a precisarem de ser agarrados; são precisos iscos. É possível dizer que não há desculpas para os cientistas não comunicarem o seu trabalho, não há desculpas para não irem à pesca. Afinal, existem tantas ferramentas e possibilidades.

O uso adequado das redes sociais (desde a primeira hora que a plateia – constituída sobretudo por cientistas e comunicadores de ciência –  foi aconselhada a ter pelo menos uma conta no Twitter), o recurso ao vídeo e ao multimédia e também o uso inteligente das palavras-chave para que o utilizador possa chegar aos conteúdos publicados nos sites dos projetos a comunicar foram os principais conselhos que se ouviram da parte dos especialistas.

Nancy Baron apelou ainda aos cientistas para serem eles próprios e deixarem passar alguma emoção ao comunicar com o público.Também David Braun, diretor de divulgação científica da “National Geographic”, publicação onde trabalha há 17 anos, deixou algumas dicas. 

Por exemplo, o jornalista de ciência ressalvou o crescimento exponencial de utilizadores nas redes sociais e o poder do “Google”. “Grande parte das visitas que temos vêm de pesquisas feitas neste motor de busca”, afirmou.

Para além disso há um poderoso isco para agarrar o leitor. Chama-se fotografia. E é, de facto, de fotografias, mas também de infografia e multimédia, que é constituída a “National Geographic”.

Através de uma boa foto, como também sublinhou durante a conferência a fotógrafa da natureza Christine Shepard, é possível chamar a atenção do público e dar oportunidade aos cientistas para darem a conhecer a sua investigação. Esta hipótese é ainda reforçada pela existência dos blogues que permitem, por exemplo, um relato de experiências e de histórias na primeira pessoa da parte dos cientistas.

Uma fotografia de uma foca, com o seu olhar cativante, pode ser o mote para notícias ou reportagens acerca do que as afeta, como é o caso do lixo que existe no oceano. Faz também parte do trabalho dos jornalistas de ciência encontrar histórias dentro da ciência e através delas comunicar e explicar um determinado assunto. Através das histórias, convencem-se também os editores e é possível ver esta temática mais presente nos média. O problema da falta de jornalistas de ciência não é só português, é global.

À medida que a conferência se desenrolou e, sobretudo neste segundo dia de apresentações, ficou a ideia de que os cientistas estão também a ficar cada vez mais versáteis na comunicação e a ter equipas, nos bastidores, capazes de desenvolver projetos destinados ao público em geral. 

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