Português ganha o prémio europeu “Genius Prize” atribuído pela EuroScience

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Chama-se “Science & cocktails” (Ciência & Cocktails) e é um projeto de Jácome Armas, físico português que recebeu o prémio “Genius prize” das mãos de Jens Degett, organizador da primeira conferência europeia para jornalistas de ciência, realizada neste domingo, em Copenhaga.

O nome pode parecer estranho, mas depois de uma contextualização com a pergunta – “Como é que se consegue criar um evento cultural relacionado com o conhecimento e com a ciência?” – tudo se torna mais fácil de perceber. Segundo Jácome, “tudo gira na noite à volta da cerveja” e também não vale a pena levar os cientistas para os bares onde não é possível controlar o ambiente à volta e comunicar.

Foi então que surgiu a ideia. O objetivo é juntar o útil ao agradável, adicionando a ciência ao entretenimento. A resposta à questão anterior, explica o cientista, é precisamente criar eventos, de entrada gratuita, que são uma série de aulas públicas dadas por cientistas intercaladas com música e artes e cocktails. De momento, o projeto decorre apenas em Copenhaga.

A entrega do prémio encerrou a conferência para jornalistas de ciência e a perspetiva abordada pelo físico português vem no seguimento de uma das ideias passadas na conferência relacionada com a forma como a ciência é mostrada aos leitores. Resumida pelo moderador da conferência, o jornalista Quentin Cooper, fica a mensagem: “As pessoas gostam de ciência, mas elas não gostam de ver a palavra “ciência” escrita numa caixa”. É necessário integrar a ciência no dia-a-dia das pessoas, tornando-a mais atrativa e comunicando-a de uma forma também mais informal.

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Primeiro dia: Arranque do Festival “Science and the City”

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21 de junho de 2014. Arranca mais uma edição do EuroScience Open Forum. Este ano há como que um 2 em 1, já que acontece em simultâneo com o festival “Science and the City” que tem como principal objetivo a divulgação da ciência junto do público, especialmente dos mais novos.

Como jornalista e como pessoa curiosa e sedenta de conhecimento em temas de ciência, visitei durante várias horas os diversos stands, pelos quais são responsáveis universidades, instituições de investigação, empresas, entre todos. O palco destes eventos é o Carlsberg District (que é bastante grande), no qual estão literalmente espalhados uma série de espaços dedicados à ciência: “Engage”, “Discover”, “Inspire”, “The Garden”, “Wonder”, “Explore”, “Media”.

De entre os vários espaços, fui absorvendo informações e interagindo nas experiências.Um jornalista, como parte do público, ganha sempre um olhar diferente.

Desde como é feita a cerveja até às “partidas” que o nosso cérebro nos pode pregar, muitos foram os temas tratados.

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Comecemos pela cerveja. Nem de propósito, num dos primeiros dias no país, a curiosidade leva a que se perceba, cientificamente, como é feita esta bebida que muitos de nós consumimos sobretudo no Verão. Uma visita aos vários ingredientes que a compõem permitiu saber e conhecer a planta que lhe dá origem  – a cevada (ver foto em cima) e também saber que 95 por cento desta bebida é composta por água, essencial para o desenvolvimento dos grãos, depois de maltados. Mas para além da cevada, a cerveja é composta ainda por um outro ingrediente: uma planta chamada lúpulo (“hop”) (Hummulus Lupulus). Se o pretendido é uma cerveja amarga, por exemplo, então é deixado a ferver durante mais tempo o “wort” (extrato de cevada obtido durante o processo de secagem e de esmagamento dos grãos) com os lúpulos mais amargos.

De curiosidade em curiosidade, observei como o público também aderia às atividades:

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Tal como o público, fui também aferir qual a minha pegada de carbono e perceber ainda o que está por detrás das chamadas “ilusões de óptica”, causadas pela comunicação entre os neurónios, que filtram a informação mais importante, fazendo com que demoremos um pouco mais tempo a visualizar círculos dentro de quadrados por exemplo.

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             (© 2006 Anthony Norcia)

A biodiversidade é também outro tema muito retratado no Festival “Science and the City”. Neste caso foi possível conhecer a importância dos solos férteis e como estes estão constantemente ameaçados pela construção de estradas e edifícios.

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Estando os solos ameaçados está implicada toda a biodiversidade envolvente. Existem centenas de animais que dependem dos solos para sobreviver. Desde a toupeira, que se alimenta de minhocas e de pequenos invertebrados no solo, até aos mais minúsculos artrópodes. A Comissão Europeia, em particular, o Joint Research Centre, lançou uma diretiva com recomendações para proteger os solos e encontra-se atualmente a trabalhar na sensibilização e consciencialização do público, em particular fora da Europa, acerca desta temática. Na fotografia em cima, do lado direito, é possível ver um tipo de solo que é constituído essencialmente por carbono e que é muito importante na mitigação dos efeitos das alterações climáticas.

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Passemos da biodiversidade à tecnologia. A este tema estão associados vários stands e é dado um grande ênfase às pesquisas e investigações mais recentes das universidades, sobretudo dinamarquesas.

Desde o reconhecimento facial em 3D e o seu desenvolvimento com vista a elaboração de vários produtos (aparelhos auditivos por exemplo  – através de “scans” é possível simular como é que um determinado aparelho pode atuar numa pessoa):

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Até à criação de personagens digitais através da captação da geometria e movimento dos seres humanos em tempo real através de sensores:

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Os robôs também não faltaram no “Science and the City” e atraíram a atenção e curiosidade do público:

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Um primeiro dia com muita divulgação de ciência que se fez em dinamarquês e em inglês.

 

Ciência 2.0 no ESOF2014

Ciência 2.0 no ESOF 2014

O Euroscience Open Forum (ESOF) é um dos maiores encontros de Ciência a nível europeu. Reúne cientistas e investigadores de renome, a nível internacional. Acontece de dois em dois anos em diferentes cidades europeias, desde 2004, data da primeira edição, que teve lugar em Estocolmo, Suécia.

Este ano, o ESOF realiza-se em Copenhaga, na Dinamarca. O ESOF terá cobertura mundial e o Ciência 2.0 também vai estar presente no evento, através da correspondente Renata Silva, que fará a cobertura jornalística dos assuntos de maior relevo para os leitores.

Os objetivos do evento são: dar a conhecer os mais recentes avanços na ciência e tecnologia, promover o diálogo sobre o papel da ciência e da tecnologia na sociedade e nas políticas públicas, estimular e provocar o interesse do público e o debate sobre ciência e tecnologia.

Este ano o programa debruça-se principalmente sobre os temas da saúde (“The Healthy Society”), do cérebro (“A revolution of the mind”) e do ambiente (“Global resource management”, “Green economy”), passando pelas novas tecnologias e pela comunicação de ciência (“Learning in the 21st century”, “Science, Democracy and Citizenship”, “Material and Virtual World”, “Urbanization, Design and Livability”), entre outros.

No site do Ciência 2.0 serão publicados durante a próxima semana galerias de fotos, notícias, reportagens e artigos sobre o evento. Poderá acompanhar em maior pormenor e com maior atualidade, os temas e assuntos mais importantes através de um blogue associado ao nosso site:

A cobertura do evento será também divulgada através das redes sociais:
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